E eu venho a
dias pensando no que escrever aqui, eu venho a dias tentando achar as palavras
certas pra te dizer, de um modo bem simples, o quanto tu fostes, e ainda és, a
pessoa mais importante durante toda a minha vida. E, o engraçado, é que até as
palavras mais bonitas se tornam poucas, pequenas, pra te falar tudo o que eu
tinha vontade, e o tempo não permitiu.
Pode ser que
seja tarde demais. É tarde demais, na verdade. Mas, as pessoas costumam dizer
que quando uma pessoa vai embora, pra sempre, elas permanecem ao nosso lado, em
pensamento, no coração, espiritualmente. Então, se isso é verdade, tenho
certeza que tu vais ler cada palavra que aqui escrevo.
É assustador,
sabe mãe, saber que tu não estás mais aqui. Não por dias, meses, ou alguns
anos, não. É assustador saber que tu não estás mais aqui pra sempre. Que um dia
Deus, ou qualquer coisa que seja, decidiu que tu irias fazer uma viagem, longa
e demorada! E o pior de tudo, de uma forma tão rápida, tão inesperada. Acho que
é por isso que até hoje não consigo aceitar essa ideia de viver longe de ti.
Tu te lembras
daquele dia? É, daquele último dia! Pois é, eu lembro. Dos mínimos detalhes. Eu
me lembro da música que tocava, enquanto tu te arrumavas, pedindo minha opinião
sobre qual roupa usar. Lembro que enquanto tu escutavas a música, tu dizias que
ela foi feita pra ti, e eu ri. Lembro-me de ti se despedindo, dizendo que
voltava logo, que não demoraria. Mas tu não voltaste, não como eu queria, não
como eu esperava.
Aquela noite
foi angustiante, sabe mãe? As horas passavam e tu não chegavas. O dia
amanheceu, e nada. O desespero aumentava e eu sabia, eu sentia, que alguma
coisa tinha acontecido. Mas, não, não queria pensar no pior, não queria
acreditar no pior. Mas a notícia chegou, mãe, e foi terrível. Em meio a choros,
gritos, eu me perguntava “por quê?”.
Enquanto mais
pessoas chegavam pra confirma aquela notícia horrível, eu repetia: “É mentira,
isso tudo é um pesadelo”. Mas tudo era verdade, mãe. Nesse dia, meu mundo
desmoronou, totalmente. Fiquei sem chão, sem rumo. E eu pensava: “O que vai ser
de mim agora?”. Eu queria apagar esse dia triste da memória. Queria poder
apagar aquelas horas angustiantes, que pareciam não passar nunca.
Aí eu tive que
te dá o último beijo, mãe. E em meio ao desespero eu te pedia perdão, por tudo,
e dizia que te amava. E eu tive que te dizer adeus. Adeus, pra sempre! A minha
vontade era ir junto contigo, fazer essa viagem também. A tua ausência me
assustava, me assusta, muito. Era como se tudo tivesse perdido, confuso!
Desde então,
mãe, eu tento conviver com a dor, com a saudade. Essa saudade que sufoca, sabe?
Tem horas que ela vem com tanta força que parece que não vou aguentar. Mas eu
aguento. Eu continuo aqui, forte, porque eu sei que é esse teu desejo. Durante
esses quatro anos, todos os dias, ao me deitar eu penso em ti, ao levantar eu
também penso em ti. Às vezes eu me pego chorando de tanta dor, sofrendo com a
tua ausência, mas também me pego rindo lembrando dos nossos bons momentos!
Foram tantas
coisas boas, né mãe? Eu fico aqui lembrando das noites em que eu não conseguia
dormir, ai tu me chamavas pra deitar ao teu lado, e logo o sono vinha. Eu me
lembro das nossas idas às compras, tudo que víamos pela frente queríamos
comprar. Consumistas natas. E o que mais escuto hoje em dia é: “Tu és
igualzinha a tua mãe, tudo quer comprar!”. Não sei se deveria, mas eu me
orgulho disso. Eu me lembro de quando eu te falei, pela primeira vez, que estava
apaixonada, e no dia seguinte todo mundo já sabia, mas eu te perdoo por isso.
Lembro das
aventuras, dos teus romances. Lembra quando saímos da casa da vó pra morarmos
sozinhas? Foi loucura, né mãe?! Um quartinho apertadinho, com poucas coisas,
mas o suficiente para nossa felicidade. Amadurecemos juntas nesse tempo,
costumo sempre dizer. Se bem que essa experiência durou pouco tempo, logo
voltamos pro aconchego de antes.
Lembranças
maravilhosas. Lembranças muito boas, mãe. Mas são só lembranças! Meus momentos
ao teu lado foram únicos, mas não existem mais. Momentos insubstituíveis que
agora estão guardados numa caixinha chamada coração, eternamente.
Somente
lembranças, porque tu fostes cedo demais. Tu fostes embora e não me viu
completando 15 anos e tendo aquela festa com a qual tu sonhavas tanto, e que,
alguns meses antes, tu vinhas programando. Tu não estavas aqui quando eu passei
no vestibular, tu não comemoraste comigo as minhas vitórias, e te garanto, mãe,
apesar de toda felicidade que eu senti nesse momento, a minha alegria era
incompleta, faltava algo, faltava você! No meu desespero antes do primeiro dia
de aula na universidade, tu não estavas aqui, então eu tive que superar sozinha
o nervosismo, a ansiedade, o medo.
E assim eu vou
seguindo, mãe! Aos trancos, mas vou seguindo. Sem teus abraços, sem teus
beijos, sem teus mimos. Sabendo que tu não vais estar aqui quando eu me formar,
não vais mais estar aqui quando eu conquistar meu primeiro emprego, e com ele a
minha independência. Não vais estar aqui no dia do meu casamento, no dia que eu
for mãe, também.
Mas mesmo
assim eu sigo, com um baita orgulho de ter te tido como mãe. Depois de quatro
anos eu continuo falando de ti, contando tuas histórias, com muita admiração,
acredite. Porque durante quase quinze anos que tu estivestes ao meu lado, tu
fostes simplesmente incrível!
E, hoje, eu
quero lembrar de ti assim, uma mulher linda, incapaz de não ser notada, uma
mulher cheia de romances, uma mulher séria, mas ao mesmo tempo engraçada, uma
mulher que vivia repetindo que tinha uma filha mais responsável do que a
própria mãe, uma mulher batalhadora, guerreira, que lutava com muita garra por
aquilo que desejava, uma mulher que fazia tudo por seus filhos, que os encheu
com muito amor, sempre dedicada e preocupada. Uma mulher exemplo em minha vida.
É assim, mãe, que eu quero lembrar de ti, como alguém que fez parte da
história, da MINHA história!
É por isso que
eu não deixo de te agradecer por cada momento bom que tu me proporcionaste.
Obrigada por ter me ensinado a ter responsabilidades desde cedo, obrigado por
me encher de carinho, amor, e mimos, muitos mimos. Obrigada pelo simples fato
de ter sido mãe, a minha mãe. Meu amor por ti cresce a cada dia que passa,
mesmo estando longe uma da outra. E pode ter certeza, mãe, que, onde tu
estiveres, tu vais te orgulhar de mim, eu prometo! Continua segurando a minha
mão, tá? Não me deixa cair, não me deixa desistir.
Até um dia,
mãe! Porque eu sei que iremos nos encontrar novamente. E isso me conforta. Te
amo. Imensamente!

Me emocionei lendo floor, que Deus possa a cada dia te ajudar, porque tenho ctz, que só Ele é capaz.
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